SEJAM BEM VINDOS

SEJAM BEM VINDOS

Quando passar por aqui, deixe suas pegadas marcadas num recado.


Casa de joão-de-barro

Silêncio


É voz gritante no vazio

Solitária, sem eco.

É sorrir sem querer e,

Querendo não chorar.

Dúvida entre sim e não.

Silêncio é distância,

Percorrida ou não.

É sabedoria, calma

Explosão interior, destruição

Silêncio é dor.

É saudade, deserto

É refúgio, medo

É viver a beira do precipício

No limite entre ser ou não ser.


Francineide Lima

O MAR ME CHAMA


O mar me chama...

Finjo não ouvir,

quero tocar em suas ondas, mas

tenho medo de tempestades.

O mar me chama...

Desvio o curso do meu rio,

mas, em cada curva do meu dia

seu sorriso cantarola uma canção

Em meu silêncio, sua alma grita

sua voz me fascina, me atrai

É lutar contra a aurora,

e desejar os raios do sol

O mar me chama...

As areias já roçam meus pés

Seu olhar me invade, me toma

No seu perfume me perco e me acho

E até numa lágrima que escorrega

Sinto o sal dos seus lábios beijando os meus.


Francineide Lima

Ausência


Ouço do vento

a mesma música

palavras soltas

frases incompletas

pedaços de esperança.

Busco um olhar... E

só encontro o meu,

atento ao nada que me resta.

O pensamento, embalado

pelas horas preguiçosas,

adormece no desespero

de uma prisão sem grades.

Um sopro de resistência

insiste em bater na porta

que já não abre.

Os dedos tocam levemente

a ausênsia dos teus.

As lágrimas misturam-se com as tuas

e molham os dias secos.

Lábios são pétalas murchas

pedindo ao vento:

Traz meus espinhos de volta!


Francineide Lima